- Up Side Down, Pedro Tudela » 2008
- Die Materie Des Geheimnisses, Maria Leonor Nunes » 2008
- A matéria do segredo, Maria Leonor Nunes » 2008
- Aparecer, Desaparecer, José Luís Porfírio » 2008
- Espaços com segredos, Luisa Soares Oliveira » 2008
- Encontro com Arte, Ricardo Oliveros » 2005
- Po-Logne, João Sousa Cardoso » 2005
- Jogo de espelhos, Óscar Faria » 2005
- Da Instalação à Cenografia, João Mendes Ribeiro » 2005
- As Múltiplas Formas de Um Corpo, Óscar Faria » 2004
- Pedro Tudela Interview, Guillermo Escudero » 2004
- A Quarta Dimensão, João Sousa Cardoso » 2004
- Dentro de Contrários, Pedro Tudela » 2004
- Over Plasticity: Sound Cartographies, Miguel Leal » 2004
- Sobre a plasticidade: cartografias sonoras, Miguel Leal » 2004
- Pedro Tudela: The Provocation of the Place, between Image and Sound, João Fernandes » 2004
- Pedro Tudela: A provocação do lugar, entre a imagem e o som, João Fernandes » 2004
- Pedro Tudela · Là Où Je Dors, Aurelio Cianciotta » 2004
- Pedro Tudela · Là Où Je Dors, Guillermo Escudero » 2004
- A experiência do lugar na obra pt 12072001rj do artista Pedro Tudela, Paulo Reis » 2003
- The experience of the place in the work pt 12072001rj by the artist Pedro Tudela, Paulo Reis » 2003
- "Cardinales": Marco-Museu de Arte Contemporanea - Reviews: Vigo, Spain - Inaugural Show of New Museum, Alexandre Melo » 2003
- Sombras Comuns, Óscar Faria » 2003
- Pedro Tudela · Là Où Je Dors (Crónica), Olli Siebelt » 2003
- Os Percursos da Memória, Óscar Faria » 2001
- O Acidente das Imagens, João Sousa Cardoso » 2001
- The Accident of Images, João Sousa Cardoso » 2001
- Cidades Devassadas, Luiz Camillo Osorio » 2001
- The places of an experience, Bernardo Pinto de Almeida » 2001
- Os lugares de uma experiência, Bernardo Pinto de Almeida » 2001
- (No Início do Século XXI, Alguns Artistas Sabem Muito Bem…), Bernardo Pinto de Almeida » 2001
- Sensorial, Total, Alexandre Melo » 2000
- Cat. of the "Série Z" Exhibition, Casa Triângulo, São Paulo, Brasil
- Sensorial, Total, Alexandre Melo » 2000
- A Arte do Acidente, Miguel Leal » 1999
- The Art of the Accident, Miguel Leal » 1999
- O Treino, Fernando José Pereira » 1999
- The Practice, Fernando José Pereira » 1999
- Rastos, Restos, Rostos, Bernardo Pinto de Almeida » 1998
- Negra "performance", Óscar Faria » 1998
- Constelações Afectivas, Eduardo Paz Barroso » 1998
- Sem Título, Miguel von Hafe Pérez » 1997
- A Dupla Visibilidade do Olhar, Paulo Cunha e Silva » 1996
- Óculos, Pedro Proença » 1996
- Os Caminhos do Coração, Rosa Alice Branco » 1994
- O Coração à Boca, Jorge Colombo » 1994
- O Mergulhador Musical, Alexandre Melo » 1992
- A Alma é Húmida, Al Berto » 1991
- A Natureza Nunca Existiu, João Pinharanda » 1989
- O Jogo dos Pretextos, Alexandre Melo » 1987
É como se houvesse um princípio genérico, ou um horizonte final, em função dos quais se moveria todo o trabalho de Pedro Tudela. Esse princípio, ou essa finalidade, já que ambos se confundem, tal como se confundem o princípio e o fim de todas as coisas, seria a criação de um envolvimento sensorial total.
Este envolvimento sensorial total é algo que o autor vem propondo ao espectador, através da criação de ambientes, da realização de performances, da apresentação de conjuntos de pinturas orgânicas, ou da realização de instalações que, como no caso presente, ocupam e redesenham totalmente o espaço que as acolhe, não deixando terreno para fuga. Nos trabalhos mais recentes, a utilização do som torna este efeito de apropriação do espaço, e do visitante, ainda mais exaustivo. O mesmo efeito obsessivo produz-se, aliás, nos concertos do autor. A partir do momento em que entramos, se quisermos entrar, ficamos dentro. Não há escape. Mas julgamos poder adivinhar que este envolvimento sensorial total é algo que o autor escolhe - não sei se deseja, porque desejar é outra coisa - e produz, antes de mais, para si próprio. É uma maneira de se entranhar e revolver, ele próprio, em si próprio. As obras são, depois, uma maneira de dar conta dessa experiência. Uma espécie de mergulho em si mesmo.
Finalmente, e aqui chegamos talvez ao mais importante, importa dizer que não estamos perante um jogo com o espectador, nem perante a pura expressão autobiográfica de uma subjectividade. O que está no fulcro do trabalho de Pedro Tudela é, provavelmente algo de mais ambicioso e mais difícil: é a teoria do corpo, concebido e representado com uma massa de matéria orgânica que se move, durante um determinado período de tempo, entre a urgência de uma aflição e o sonho de um ritmo.
A teoria do corpo, em Pedro Tudela, assenta nos momentos de ruptura e de violência, acidente ou choque, tiro ou agressão. Ou seja, o nascimento e a morte. Dir-se-ia que a redenção está na evocação dos espaços antes e depois desses momentos catastróficos. Os espaços de fusão e flutuação orgânica antes de tudo começar. Os prometidos espaços de fusão etérea depois de tudo acabar. Entre os ruídos das mais fundas coisas da terra e os apelos dos mais altos céus. O durante é apenas isto.
É por isso que a obra de Pedro Tudela não é uma obra amável e que o envolvimento sensorial de que vimos falando não tem nada de confortável ou pacífico. Há violência e há dor, e isso é energia e é a vida, e é assim que a sentimos, total.